Durante décadas, hospitais cresceram seguindo uma lógica bastante conhecida, surgiu uma necessidade, compra-se um equipamento, produto ou estrutura e o investimento passa a integrar o patrimônio da instituição.

Esse modelo continua importante, mas começa a dividir espaço com outra estratégia que é contratar determinadas soluções como serviço.

A mudança está diretamente relacionada à necessidade de preservar caixa, aumentar a previsibilidade dos custos e tornar a operação hospitalar mais eficiente.

É nesse cenário que a discussão entre CAPEX e OPEX ganha importância!

CAPEX, sigla para Capital Expenditure, representa os investimentos realizados na aquisição de bens e ativos com utilização de longo prazo, sendo equipamentos, máquinas, infraestrutura e determinadas melhorias físicas são exemplos comuns.

O OPEX, Operational Expenditure, está relacionado às despesas necessárias para manter a operação funcionando, em vez de realizar um grande investimento inicial para adquirir determinado ativo, a instituição pode contratar uma solução mediante pagamentos periódicos, dependendo do modelo adotado.

Na saúde, essa transformação pode ser especialmente interessante.

Um hospital precisa direcionar recursos para equipamentos médicos, tecnologia, infraestrutura, segurança, manutenção, pessoas e inúmeras outras necessidades.

Imobilizar uma parcela significativa do caixa em itens que também exigirão manutenção, substituição, higienização e gerenciamento ao longo dos anos nem sempre representa a alternativa mais eficiente.

Por isso, começa a ganhar espaço a lógica do produto como serviço.

Imagine, por exemplo, determinados itens utilizados continuamente na infraestrutura hospitalar, no modelo tradicional, o hospital realiza a compra, recebe o produto e assume posteriormente as responsabilidades relacionadas à conservação, higienização, manutenção e eventual substituição.

Em um modelo de serviço, essa dinâmica pode mudar, a instituição passa a contratar uma solução completa, estabelecendo responsabilidades, periodicidade de manutenção, critérios de substituição e níveis de atendimento.

O benefício não está simplesmente em trocar uma compra por uma mensalidade!

A verdadeira mudança está na transferência de parte da responsabilidade operacional para uma empresa especializada e isso pode trazer maior previsibilidade financeira, reduzir investimentos iniciais e permitir que gestores hospitalares concentrem esforços na atividade principal da instituição que é cuidar de pessoas.

Mas OPEX não é automaticamente melhor do que CAPEX?

Cada situação precisa ser analisada considerando prazo contratual, custo total da solução, vida útil dos produtos, frequência de manutenção, necessidade de substituição, impacto operacional e condições comerciais.

Uma mensalidade aparentemente pequena, quando projetada por vários anos, pode superar o custo de aquisição, por outro lado, uma compra aparentemente econômica pode esconder despesas futuras relevantes com manutenção, mão de obra, armazenamento, higienização e reposição.

A comparação correta, portanto, não deve considerar apenas preço, deve considerar o custo total de propriedade e operação.

Esse conceito pode transformar a maneira como hospitais avaliam seus investimentos e a pergunta deixa de ser apenas quanto custa comprar e passa a ser quanto custa utilizar essa solução durante cinco ou dez anos.

Na G9 Brasil, essa discussão faz parte do desenvolvimento de novos modelos para o ambiente hospitalar, soluções relacionadas à proteção de paredes, cortinas divisórias, manutenção e conservação podem ser analisadas não apenas como produtos, mas como componentes de uma estratégia mais ampla de eficiência operacional.

O hospital do futuro provavelmente não deixará de comprar!

O que tende a mudar é o critério utilizado para decidir o que realmente precisa ser adquirido e o que pode ser contratado como serviço, pois CAPEX e OPEX não precisam ser adversários, são ferramentas diferentes dentro da estratégia financeira e operacional.

Para gestores hospitalares, engenharia clínica, manutenção, hotelaria, suprimentos e administração, a oportunidade está justamente em compreender qual modelo entrega o melhor equilíbrio entre custo, qualidade, segurança, disponibilidade e previsibilidade.

Em um setor pressionado constantemente pela necessidade de fazer mais com recursos limitados, transformar custos imprevisíveis em soluções planejadas pode representar uma importante vantagem de gestão.

Talvez a próxima grande economia de um hospital não esteja em comprar mais barato, mas estar em repensar se realmente precisa comprar.